Os bolsos cheios

“Nunca a alma humana surge tão forte e nobre como
quando renúncia à vingança e ousa perdoar uma ofensa.”
Charles Chaplin

Mar3

Os bolsos cheios

Já notaram, todos vós, que cada um de nós tem os bolsos bem cheios? Estão recheados do que nós consideramos tesouros. São moedas de ouro, ou pelo menos … pesam tanto como elas.
Queremos todos guardar, bem escondidos ao fundo dos nossos bolsos, alguns sentimentos, palavras por dizer, ou actos por cumprir. Coisas que nunca faremos, mas que teríamos querido realizar. Respostas que nunca daremos, mas que os nossos lábios ansiaram um dia por dar. Sentimentos que nos tocaram, mas que nunca expressaremos e que, talvez, nunca aceitaremos.

Essas riquezas, esses tesouros, bem guardados ao fundo dos nossos bolsos, vão pesando cada vez mais e cada passo que damos vai sendo mais difícil. A energia necessária a cada instante é sempre maior e, na nossa ingenuidade, muitos de nós ainda se perguntam: “Mas porque razão me custa tanto avançar?”.

Fôssemos nós um pouco lúcidos e honestos, um pouco menos cegos, um pouco mais sinceros com o nosso ser interior, compreenderíamos que o peso foi ali colocado por nós próprios. Os bolsos estão cheios, pesam sempre mais, mas nós continuamos a achar que aquele monte de cada lado do casaco faz parte do vestuário.

Colocar a mão no bolso? Nem pensar! Não vá alguma costura desfazer-se e o tesouro desaparecer…

Mas então, chega um dia em que já não cabe mais nenhuma “moeda” nos bolsos. Podemos tentar encontrar-lhes outro lugar, mas o facto é que devemos, mais cedo ou mais tarde, mudar de casaco. Ou de pele. Ou, simplesmente, mudar.

Começar a pesar cada moeda. Avaliar o seu valor para constatar que, afinal, era só peso. Podemos decidir derreter o metal e transformá-las em experiências e aceitação. Podemos enterrá-las ao fundo do jardim depois de as ter contado e constatado que não nos trazem, nem nunca nos trouxeram, nada que sirva.

E então – só então – a marcha poderá tornar-se mais leve e o caminho poderá até parecer um passeio à beira mar, quando cada passo nos parece medir vários metros.

Boas caminhadas!

D.M.

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